1. Jan
  2. 1995

Andar nos trilhos

A CNI conclui um estudo sobre o transporte de massa nas megacidades brasileiras, onde aponta o metrô como a melhor opção. Retirado da Revista Goiás Industrial.

História de Goiás

Resultado de trabalho exaustivo dos técnicos do Conselho para Assuntos de Energia (Coase), da CNI, que gastaram dois anos na sua elaboração, o estudo defende que um sistema de transporte coletivo na megacidade, para funcionar de forma razoavelmente eficiente, tem de ser, necessariamente, o resultado da combinação articulada de diversos modos de transporte.

Nesse contexto, detalha que a modalidade ferroviária (trem, veículo leve ou metrô) desempenharia papel predominante, cabendo aos ônibus, por sua vez, dada a sua capacidade de atingir todas as localidades das regiões metropolitanas, a função preferencial de alimentar o modo ferroviário.

Vantagens em quesitos que vão do conforto ao tempo gasto nos deslocamentos, demanda de energia e impacto ambiental, seja em termos de poluição do ar ou sonora, explicam a preferência pelo transporte sobre trilhos. Um dos argumentos levantados dá conta de que o modo ferroviário atende melhor a demandas densas por hora/sentido, sendo prova disso o fato de que para transportar 25 mil passageiros são necessárias mais de 400 viagens de ônibus, contra apenas 15 de metrô.

O estudo evidencia que o fator econômico ainda é o maior obstáculo à consolidação do transporte público sobre trilhos. Mas destaca, por outro lado, que o transporte ferroviário e, muito especialmente, o metrô, apresenta contrapartida que não pode deixar de ser levada em conta pelos que apontam o custo e a característica do investimento como um dos freios ao seu crescimento: o tempo de amortização das instalações e material rodante, por exemplo, que pende a seu favor. Também o progresso técnico, que está reduzindo significativamente os custos, além do fato de que certas estações podem vir a ser exploradas como ponto de venda, melhorando a taxa de retorno dos investimentos.

Ao comentar as conclusões do trabalho, o coordenador do Coase, Julian Chacel, disse que três reflexões foram decisivas para se chegar a um juízo definitivo em favor do transporte ferroviário. A primeira, segundo ele, tem a ver com a capacidade instalada da indústria de material ferroviário e suas interações com o complexo industrial brasileiro como alavanca para a recuperação do emprego; a segunda, com a especulação sobre o custo econômico e psíquico dos congestionamentos que, a seu ver, poderiam ser minimizados com a maior participação do metrô e, a terceira, com a satisfação dos usuários, que não hesitaram em indicar o modo ferroviário, de forma especial o metrô como o seu preferido.

Para ver a matéria original: (Clique aqui)

Referência:
Andar nos trilhos. Goiás Indústrial, Goiânia, Ascom, Janeiro/Fevereiro, 1995.

  • Capa revista Jan/Fev, 1995
  • Revista Jan/Fev, 1995

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