1. Mar
  2. 2008

Disposição para investir

A expectativa de um ano mais complicado para a economia do que em 2007 não parece tirar o ânimo do setor em Goiás, que espera crescer 7%. Saiba mais:

História de Goiás

A turbulência no mercado internacional e os indicadores mais recentes, confirmando um desaquecimento para a economia norte americana e tornando mais próxima uma recessão de alcance até aqui não dimensionado naquele país, ainda não conseguiram roubar o fôlego do empresariado goiano. A pesquisa de investimentos realizada pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) mostra que, embora a maioria das empresas considere sua capacidade de produção adequada à demanda, nada menos que 88,5% dos empresários entrevistados pretendem investir no aumento da produção, na melhoria de qualidade e no lançamento de novos produtos neste ano. 

O levantamento confirmou, de acordo com o economista da Fieg, Cláudio Henrique de Oliveira, que 51,9% dos empresários cumpriram os investimentos no ano passado, 45,8% apontaram custos financeiros incompatíveis com as possibilidades de retorno do investimento previsto e 29,2% reviram as previsões de demanda, "comportamento predominante entre as pequenas e médias empresas" anota a edição mais recente da pesquisa Indicadores Industriais.

Os números do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para Goiás reafirmam o que os levantamentos da Fieg já haviam identificado. No ano, passados, os desembolsos do banco em favor de empresas goianas ou com operações no Estado mais do que dobraram na comparação com 2006, sugerindo um ímpeto renovado para os investimentos em geral. Nos 12 meses de 2007, o banco liberou um total de R$ 2,384 bilhões em Goiás, volume recorde. Um ano antes, as liberações haviam somado R$ 1,137 bilhão. Na ponta do lápis registrou-se variação de 109,7% entre um ano e outro.

Desembolsos para indústria saltam 149%

A indústria, com destaque pata química e petroquímica e metalurgia e seu produtos, e o setor de infra-estrutura comandaram os desembolsos do BNDES, recebendo, cada um, R$ 948,5 MILHÕES (41,3% DO DESEMBOLSO TOTAL) E R$ 1,035 BILHÃO (43,4% do total). Na comparação com 2006, o volume emprestado à indústria saltou 149%, enquanto a infra-estrutura registrou aumento de 159,8%. A indústria de produtos químicos, que inclui adubos, fertilizantes e medicamentos, recebeu injeção de R$ 524,5 milhões no ano passado, representando avanço de 426,8%. Já a metalurgia teve à sua disposição R$ 218,6 milhões, nada menos do que 1,419%* a mais.

Na área de infra-estrutura, destacaram-se os setores de energia elétrica (transmissão e distribuição), com R$ 736,7 milhões e crescimento de 313%, e de transportes terrestres, que receber R$ 271,2 milhões, avançando 52,9%. O setor de construção, provavelmente refletindo dados do início de 2007, quando a reação da indústria do setor ainda não havia se estabelecidos, viu os desembolsos encolherem 66,6%, para R$ 8,5 milhões apenas. 

Previsões para 2008
Depois do salto de 14,06% em 2007, surpreendendo algumas previsões, as vendas da indústria tendem a apresentar variação um pouco mais modesta neste ano, segundo estimativa do presidente da Fieg, Paulo Afonso Ferreira. Ele esperava um avanço real em torno de 7% no Estado, frente a uma expectativa de incremento de 5% para a indústria brasileira como um todo. O comportamento da demanda doméstica tende a continuar puxando o ritmo da atividade industrial, já que o setor deverá enfrentar dificuldades renovadas para continuar ampliando suas vendas ao exterior. Em primeiro lugar, segundo o economista Claudio Oliveira, porque a conjuntura mundial parece menos amigável neste ano, diante da crise norte-americana. Em segundo, diante da renovada tendência de depreciação do dólar frente ao real. A perda de valor da moeda norte-americana obriga as indústrias exportadoras a uma ginástica para preservar mercados lá fora, achatando margens, causando perdas de rentabilidade e reduzindo a capacidade de competir por mercados. Mas também penaliza indústrias no mercado doméstico, especialmente pequenas e médias, que têm menor fôlego para competir com produtos importados, que cegam a preços mais baixos no País, favorecidos pelo câmbio barato. Apenas em janeiro, as importações goianas aumentaram praticamente 126%.

"A manutenção do crescimento em 2008 se apresenta como um desafio para a economia, pois se vislumbram fatores que poderão ameaçar a continuidade do que se viu em 2007", afirma Oliveira. O economista aponta, além da questão cambial, a tributação excessiva e as deficiências de logística.


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Referência:
VEIGA FILHO, Lauro. Disposição para investir. Goiás Industrial, Goiânia, Ascom, Março, 2008.

  • Capa revista Março, 2008
  • Revista Março, 2008

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