1. Apr
  2. 1881

A chegada dos visionários e ascensão da indústria no Brasil

Após 1888 o cenário político, social e econômico do Brasil começa a escrever uma nova História: A indústria começa a tornar realidade.

História do Brasil

Quando falamos em estrada de ferro, talvez nos lembremos da Revolução Industrial, aquele início promissor, as descobertas de como trabalhar o metal fundido e fazer dele multiuso. O ferro, um minério importantíssimo encontrado na natureza tem sido usado para confeccionar vários tipos de utensílios, ferramentas e inúmeras peças de uso industrial e até mesmo de uso doméstico.

No final do século XIX início do XX, o Brasil engatinhava na engenharia de linhas férreas, estas que poderiam facilitar a ida e vinda de mercadorias dos portos para os locais destinados. O que obrigou homens visionários arquitetar planos audaciosos para vencer obstáculos? O Brasil no “clima” pós-abolição da escravatura, recebe vários visionários decididos a investir apostando em conquistar fortunas e status social. A indústria brasileira deve a estes visionários que talvez, inescrupulosos ou honestos de qualquer forma colaboraram com o engatinhar do país.

A máquina a vapor, a locomotiva e os trilhos.

A invenção do trem no século XIX, fruto da Revolução Industrial ocorrida na segunda metade do século XVIII, foi algo extraordinário; o deslize de vagões sobre trilhos realmente revolucionou os meios de transporte de pessoas e cargas. A utilização do vapor que até então era somente para mover maquinários na indústria, por volta de 1780, passou a ser utilizado para mover veículos, tanto que em 1805 um estadunidense chamado Robert Fulton criou os navios a vapor. O ingleses foram os pioneiros na construção da primeira ferrovia inaugurada em 1830 ligando a cidade de Liverpool a Manchester colocando o recém-criado modelo de locomotiva a mover-se sob trilhos. Já no Brasil, destacou-se o estadunidense Percival Farquhar responsável pela ferrovia Southern Brazil Railway e Madeira-Mamoré Railway.

 Os pioneiros da indústria brasileira

Ao longo da História vários fatores cooperam para o Brasil iniciar seu processo de industrialização e sem dúvidas era arriscado para qualquer empreendedor, pois se tratava de pioneirismo, não havia previsão de riscos e nem exemplos de pessoas que por algum motivo não obteve êxito na empreitada. Considerado pelos historiadores um pioneiro no desenvolvimento de indústrias no Brasil, Irineu Evangelista de Souza (1813-1889), o Barão de Mauá, colaborou massivamente com a criação de indústrias no início do Brasil Império (1822-1889), atuando como industriário, banqueiro e comerciante. Foi responsável pela construção da primeira ferrovia do Brasil, a Estrada de Ferro Mauá localizada no Estado do Rio de Janeiro, explorou o Rio Amazonas utilizando barcos a vapor, pioneiro na iluminação pública a gás na cidade do Rio de Janeiro, foi precursor do liberalismo econômico, a favor da abolição da escravatura e tráfico de escravos. Nascido no Rio Grande do Sul, o Barão de Mauá viajou pela Europa e viu de perto o funcionamento de fábricas na Inglaterra, buscou recurso com o propósito de colocar o Brasil nos trilhos da indústria que até então era baseado em uma economia rural. O primeiro investimento foi fabricação de navios, caldeiras para máquinas a vapor, engenhos de açúcar, guindastes, prensas, além de artilharia, postes para iluminação e canos de ferro para água e gás sendo que nessa época, início do século XX, havia um grande número de pessoas que ingressaram na indústria, pois abolição da escravidão e com instalações de grandes complexos fabris. Irineu Evangelista, o famoso Barão de Mauá, controlou oito das dez maiores empresas do Brasil chegando a operar dezessete empresas com filiais em Londres, Paris, Nova York, Uruguai e Buenos Aires. Houve um espírito empreendedor que movia Irineu Evangelista de trazer o desenvolvimento para a América do Sul, para o Brasil, pois as chances de sucesso eram grandes sendo que havia mão de obra, espaço para construção de fábricas e instalação de maquinários e uma produção manual de vários produtos que poderiam deixar de ser produzidos em pequena escala (em se tratando de manufaturados) e passar a serem feitos em larga escala (industrializados).

Outros personagens que apostaram na indústria em terras brasileiras foi o italiano Francesco Matarazzo e Rodolfo Crespi ambos imigrantes italianos. Matarazzo iniciou seu negócio com criação de porcos extraindo deles a banha que servia para fazer óleo. Ele também investiu na fabricação de azulejos, vestuário, massas alimentícias, velas e sabão. A IRFM – Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo fundada em 1891 na cidade de São Paulo foi o maior grupo empresarial da América Latina tinha além de atividades de produção, importação de algodão e farinha de trigo dos Estados Unidos. A complexidade de indústrias foi aumentando e as chaminés das fábricas Matarazzo, por volta de 1920, foram mudando o cenário urbano de São Paulo com indústrias que produziam sabões, inseticidas, velas, pregos, destilaria, perfumes e um dos principais ramos industriais eram o têxtil, logo depois alimentação, bebidas e vestuário que empregava em cada fábrica mais de mil trabalhadores.

Mesmo após a morte de Francesco Matarazzo em 1937, já dono da quinta maior fortuna do mundo, a IRFM não parou. As empresas foram assumidas pelo filho Francesco Matarazzo Júnior, que inovou a indústria inserindo novos seguimentos como: álcool, celulose, óleo de mamona, margarina vegetal e outros. Matarazzo Júnior ficou a frente do negócio por 40 anos e após sua morte assume sua filha, neta do fundador Francesco Matarazzo, a Sra. Maria Pia Matarazzo que na época tinha 32 anos de idade e coloca o foco das indústrias no produto mais rentável na época: álcool, papel e químicos. Faz uma reforma administrativa, mas na década de oitenta com abalos econômicos e controvérsias com seus irmãos, desencadeia declínio das empresas. Hoje na cidade de São Paulo e em algumas cidades do interior ainda sobrevivem antigos prédios da era Matarazzo que trouxe tecnologia e inovação em uma época que o Brasil precisava dar passos largos na indústria.

Outro visionário, Rodolfo Crespi, chega ao Brasil em 1893 na mesma época que Matarazzo, oriundo da Lombardia, região fabril da Itália. Quatro anos após sua chegada, monta junto do sogro uma fábrica de algodão onde com sua maquinaria fazia todo processo de tecelagem, mas esta durou onze anos levando Crespi, após rompimento da sociedade, montar uma das maiores fábricas de algodão da América Latina, a Cotonifício Crespi. Ele foi o responsável, segundo relatos históricos, criador da primeira fábrica de fiação de algodão em larga escala (leia sobre a indústria têxtil no Brasil) que trabalhava a matéria prima desde a limpeza do algodão (beneficiamento) até a produção de tecidos. A partir de 1939 com a morte do fundador, a indústria de Crespi começou a perder espaço e a administração não conseguiu reerguer os negócios levando a fechar a fábrica no início da década de sessenta.

São Paulo e Rio de Janeiro foram dois grandes centros de indústrias, e os lugares onde mais recebia imigrantes sendo assim, foram locais de destaque no que se diz: início da industrialização no Brasil. Jorge Street empresário da sacaria, Delmiro Gouveia na região nordeste, o estadunidense Percival Farquhar um grande investidor estrangeiro no Brasil e muitos outros visionários que no período em que o Brasil abolia a escravatura (1888), apostaram que em terras brasileiras poderia sim haver um grande retorno de seus investimentos. Roberto Cochrane Simonsen por influência de seu pai Sidney Martin Simonsen, foi um enorme cooperador para com a indústria no Brasil. Roberto Simonsen nascido na capital federal, Rio de Janeiro em 02 de fevereiro de 1889 perto do período da proclamação da república, possuía notório saber intelectual e mostrou isso na prática. Estudou na Escola Politécnica do Rio de Janeiro concluindo curso em Engenharia e ingressando em seu primeiro emprego na Southern Brazil Railway ferrovia que pertencia a Percival Farquhar.

A de perceber as contribuições desses visionários que influenciaram o curso da História. E ainda mencionando Roberto Simonsen, este, junto de Euvaldo Lodi foram protagonistas responsáveis pela criação da CNI – Confederação Nacional da Indústria.

Texto: Valter Lopes - Historiador

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FONTES
Fausto, Boris. História do Brasil / Boris Fausto. – 13. Ed., 1º reimpr. – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2009. – (Didática, 1).
Sistema Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo. 200 anos de Indústria no Brasil de 1808 ao séc. XXI. EMC edições 2008.
Bueno, Eduardo. Produto nacional: uma história da indústria no Brasil / Eduardo Bueno. – Brasília: CNI, 2008. 240 p. : il
Matarazzo, Maria Pia. Matarazzo 100 anos. Publicação São Paulo, 1982: Fotocomposição, 19uu. 162p. : il.

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