1. Dec
  2. 1925

A Coluna Prestes

Quem foi Luís Carlos Prestes? O que ele fez? Qual sua influência? Para que afinal servia a Coluna Prestes? Ninguém no Brasil pregou tanto o comunismo como Luís Carlos Prestes.

História do Brasil

Quem foi Luís Carlos Prestes? O que ele fez? Qual sua influência? Para que afinal servia a Coluna Prestes? São perguntas intrigantes que fomenta uma discussão polêmica e talvez, contraditória. Ninguém no Brasil pregou tanto o comunismo como o gaúcho Luís Carlos Prestes.

Elza seria a "Olga brasileira"? Sabemos que nos registros históricos não há destaque para Elvira Cupello Colônio, a bibliografia sobre essa figura importante foi camuflado pela mídia. O que você acha? Luiz Carlos Prestes, nascido em 1898, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, filho de militar que teve destaque na proclamação da República. Uma família notória, irmãs cultas e consideradas independentes para a época, ficou órfão aos dez anos de idade. Formou-se em Engenharia Militar em 1920 sendo um aluno exemplar obtendo nota 10 em todas as disciplinas. Percebemos até aqui um notório saber intelectual de um jovem que mais tarde penderia para filosofias de esquerda e sendo influenciado pelas mesmas.

Em 1924 jovens militares se rebelaram contra o governo e invadiram São Paulo. Estes jovens queriam a queda do então presidente da República, Artur Bernardes e o fim da República Velha. Paralelamente outros militares no país tiveram a mesma atitude simultaneamente. Sem êxito, quando tropas federais contra atacaram, os rebeldes fugiram para o sudoeste, rumo ao Paraná se unindo a militares rebeldes que vinham do Rio Grande do Sul.

Aí entra Luís Carlos Prestes, um jovem de 26 anos de idade, desertor do 1° Batalhão Ferroviário de Santo Ângelo. A primeira ideia foi de se organizar e forçar um novo confronto em São Paulo e Rio de Janeiro, mas o grupo resolveu seguir as ordens de Prestes de subir o Brasil por regiões remotas, desprotegidas e pobres atravessando Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e os estados da região Nordeste. Este fato foi apelidado de “Coluna Prestes”, formado por militares sanguinários cavalgando 15 mil quilômetros driblando arapucas arquitetadas pelo exército brasileiro tentando acabar com esse levante. Isso durou dois anos e três meses. Ao passar por cidades e vilarejos remotos no interior do Brasil, Prestes torna-se uma figura mítica, idolatrada por pessoas que o viam e conheciam seus feitos, tanto que foi chamado de Cavaleiro da Esperança sendo destaque em jornais locais e até internacionais. Várias bibliografias afirmam que o motivo da Coluna Prestes foi percorrer lugares remotos no interior do Brasil e fazer um levantamento sobre a exploração das camadas populares por líderes locais, conscientizar a população denunciando a miséria. Mais será? Essa propaganda comunista mostra que foi necessária todo esse preparo para ver de perto a realidade do interior do país, formada por uma população concentrada na zona rural que viviam de subsistência e sob o controle de autoridades locais que ditavam as regras sociais, políticas e econômicas. A controversa disso é a logística. O deslocamento dessa quantidade de pessoas por lugares remotos onde não se sabia o que iria encontrar passando fome, sofrendo com doenças e uma duvidosa certeza de que isto realmente era para checar qual realidade da população? Cartas, manuscritos e fotografias de Juarez Távora, um dos que sobreviveu a Revolta do Forte de Copacabana, de 1922 na primeira revolta tenentista, este cidadão foi um dos que formou a cúpula da Coluna, junto de Prestes e Miguel Costa. Estes arquivos mostram o outro lado da moeda. Faz uma análise de como era o cotidiano dos cavaleiros e sua relação como os lugares onde passavam. Adivinhe como foi? Claro que a Coluna Prestes não era recebida com fogos de artifícios e festas, pelo contrário. Saques, assassinatos, estupros e atrocidades que não vale a pena comentar eram de fato o que abarcava a realidade desse grupo paramilitar. 

Em Goiás no relato do padre José Maria Amorim, após a passagem dos arruaceiros a população que era pobre reduziu-se à quase completa miséria. Onde ficou a esperança? O intuito da Coluna Prestes não era verificar a realidade de perto de pessoas isoladas do litoral? Prestes se refugiou na Argentina após tornar mais caótico ainda o cenário do interior do Brasil. Aderiu de vez ao Comunismo, foi à União Soviética em busca de apoio de um dos maiores tiranos da história: Josef Stálin. O sonho de Prestes era uma revolução Socialista no Brasil. Ao retornar ao Brasil, após 1930 quando Getúlio Vargas já era presidente, veio munido de estrangeiros experientes, revolucionários e terroristas. Tornou-se membro do Partido Comunista do Brasil para tramar um golpe. Dentre estes estrangeiros destacou-se Olga Benário que se passou por mulher de Luís Carlos Prestes para conseguir entrar no Brasil usando documentação falsa, esta jovem comunista alemã, Olga Benário que mais tarde se apaixonou por Prestes e tornaram de fato marido e mulher. Durante esse novo estágio no Brasil, Prestes viveu na clandestinidade no Rio de Janeiro aliado a Aliança Nacional Libertadora que tentou depor Vargas, mas sem sucesso. Prestes foi preso em 1936 em companhia de Olga onde a viu pela última vez. Após o episódio, através de um bilhete Prestes soube que sua esposa estava grávida, esta que foi deportada para Alemanha nazista por ordem de Getúlio Vargas.

Olga morreu na câmara de gás em abril de 1942, Prestes soube do fato três anos depois, sendo que sua filha Anita Leocadia, foi poupada do assassinato e conheceu o pai aos nove anos de idade após retornar de um exílio no México.Em meio essa turbulência, outro fato que até hoje levanta dúvidas é a jovem brasileira a serviço dos comunistas. Elvira Cupello Calônio conhecida como Elza, a garota que foi brutalmente assassinada por causa da insistência de Prestes e sem dúvidas, com o aval de Olga. O namorado de Elza, Antônio Manoel Bonfim, o Miranda, era secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro. Elza e o namorado foram presos em 1936. Duas semanas depois ela foi liberada e ficou sob suspeitas dos comunistas por estar passando informações privilegiadas à polícia, pois ela visitava Miranda que ainda estava preso e saia de lá com bilhetes para os colaboradores do partido. Para os comunistas, Elza ou “G” (como era chamada nos bilhetes) voluntariamente poderia ou não estar a serviço da polícia. Outra polêmica é a questão de sua idade quando ocorreu a morte. A militante Maria Werneck de Castro que foi sua companheira na prisão feminina disse que Elza costumava sorrir muito e não aparentava ter mais de 16 anos, mas para o discurso propagandista comunista talvez, quis manter uma maior idade assim minimizando a ideia que comunistas matavam crianças. Acompanhando essa polêmica da faixa etária de Elza, a imprensa da época caracterizou Elza uma mulher de “olhos azuis muito vivos” e acompanhados de cabelos louros mesmo tendo uma única foto que foi tirada pela polícia mostrando Elza morena de olhos escuros. Após exumação e análise de pêlos os legistas constataram coloração castanha quase negra.  

Elza foi brutalmente enforcada e alguns de seus ossos quebrados para que o corpo pudesse caber em um saco e enterrada no quintal da casa de Guadalupe. Três dias depois todas as correspondências da garota foram encontradas, no mesmo dia que a polícia prendeu Olga e Prestes na casa do Méier, no Rio de Janeiro. O corpo de Elza foi encontrado depois que integrantes do PCB foram presos obrigados a confessar o crime e indicar o local onde o corpo foi enterrado. Prestes e outros envolvidos foram condenados, mas com anistia concedida por Getúlio Vargas em 1945 isentou o cumprimento da pena de 20 anos. Olga recebe o maior destaque nos fatos, Elza não. O que convenceu Prestes da traição de Elza foram os bilhetes levantava suspeitas de não terem sido escritos por Miranda e sim pela própria polícia a fim de investigar. Os próprios comunistas ao revirar o esconderijo de Guadalupe perceberam que realmente a letra dos bilhetes era de Miranda e estes ao chegar a conhecimento de Prestes, que resolveu forjando respondendo aos colegas indícios de falsificação apontando traços variados das letras, mas só que Preste baseou apenas no estilo que lembrava. Essa artimanha é típica de mitológicos heróis! Afinal, onde está a esperança do dito Cavaleiro da Esperança? O ufanista que tropeçou nas próprias pedras as quais não conseguiu tirar do caminho.

Texto: Valter Lopes - Historiador

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FONTES:
RODRIGUES, Sérgio – Elza, a Garota : a história da jovem comunista que o Partido matou / Sérgio Rodrigues. – Rio de Janeiro : Nova Fronteira 2009.
NARLOCH, Leandro, 1978 – Guia politicamente incorreto da história do brasil – São Paulo: Leya, 2011. 367 p.
Revista, Aventuras na História ed. 152 – março 2016 – matéria de capa.                                                            

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