1. Oct
  2. 1935

A Revolução de 30 e sua influência na industrialização

Mudanças políticas e sociais culminou bons resultados para o Novo Goiás!

História de Goiás

Cartão Postal da nova capital em construção: Goiânia
Recorte de capa de jornal com intuito de atrair pessoas para Goiânia

A Revolução de 30 foi um movimento político armado com o objetivo de derrubar o governo do então presidente da república Washington Luís e impedir que Júlio Prestes fosse empossado. Mais o que esse marco histórico decidiu no curso da História? Manobras políticas? Poderio armado? Soluções econômicas para o Brasil?

Goiás foi considerado por muito tempo um estado periférico. Aqui a comunicação era difícil, o acesso era quase que impossível e pessoas que moravam no litoral em regiões como São Paulo, Rio de Janeiro e estados do sul nem pensavam na possibilidade de vir para Goiás, instalar-se, aventurar em abrir um comércio sem uma perspectiva de como seria o resultado. Antes de 1930, Cidade de Goiás (antiga Villa Boa de Goyaz) era a capital da província e este local ermo não chamava muita atenção de pessoas a vir morar, pois o período de “ouro” já havia passado não havia mais veios d’agua para explorar, a cidade passou a cultivar outros produtos para sobreviver.

Com a visão futurista do Dr. Pedro Ludovico Teixeira em fundar uma nova capital, foi o início de uma transformação para o estado de Goiás. Cidade planejada, arquitetura diferenciada e um local considerado ideal para construção de uma sede administrativa. Com aliados políticos uniu forças em realizar um sonho que já pairava na mente de muitos, mas nunca concretizado. A construção da nova capital de Goiás foi anunciada para chamar atenção de pessoas a virem para o novo centro em ascensão. Inúmeras pessoas vieram para construir casas, ruas, pontes, prédios onde seria acomodado todo aparato administrativo que seria transferido da antiga capital. Como esse grande passo, Goiás começou a desmistificar aquela ideia de zona periférica, pobre e sem futuro. A mudança não foi da noite para o dia, mas a ponta do iceberg já havia sido quebrada.

O início do século XX foi marcado por fatos históricos que abalaram o mundo: a primeira guerra mundial, crise de 1929 nos Estados Unidos causando um reflexo nas exportações do café brasileiro, o fim da velha oligarquia (ou pelo menos o início do fim) da República Velha (1889-1930), o declínio da política café com leite onde até então os barões do café do sul e sudeste se revezavam no poder. Com o início da chama Era Vargas (1930-1945), um novo processo político administrativo inicia no Brasil, inclusive a adoção de uma nova constituição. Nesse período, a meta do então interventor Dr. Pedro Ludovico Teixeira era de impulsionar a ocupação do território goiano com a chamada marcha para o oeste atraindo pessoas para o interior do Brasil, pois a ideia de que Goiás era um estado periférico estava chegando ao fim. Em 1934 foi criador o Decreto nº 4941 que garantia facilidades em adquirir lotes na nova capital e a propaganda foi espalhado por várias cidades brasileiras para atrair pessoas para a Nova Capital. Além da mudança da capital, que foi um dos requisitos para que esse desejo torna-se realidade, foi investir em estradas, e programas que incentivaria pessoas a migrar para Goiás. Qual seria o interesse das pessoas em deixar a região litorânea que estava cheia de indústrias e em pleno progresso?

Meados 1939 o mundo foi assombrado com a terrível 2ª Guerra Mundial, e o sertão goianiense, pelo fato de ainda a comunicação ser difícil, não esteve tão a par dos acontecimentos mundiais. Nesse período, a cidade de Petrônia (primeiro nome dado a Goiânia), avançava em número de habitantes e isso foi um fator importante, sendo que a arrecadação também aumentaria. A visita do presidente Getúlio Vargas em terras goianienses foi um marco histórico. Ele veio conhecer e ver de perto as obras e ouvir quais eram as necessidades dessa nova cidade que ainda engatinhava rumo ao progresso e dar início oficialmente à chamada Marcha para o Oeste.

No início dos anos 50, Goiás começa a presenciar uma mudança no que se diz indústria. A estrada de ferro, mão de obra para atender a indústria,... Um novo cenário começa a nascer no interior do Brasil. Em 1952, em Anápolis é fundada a Escola SENAI GO-1 que hoje é intitulada Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange. Essa instituição formou inúmeros jovens preparando-os para o incipiente nascimento do parque industrial que não parou de crescer e se adequar a novas tecnologias. Goiás deu grandes saltos, recuperou um tempo perdido! Mesmo que em suas políticas burocráticas dos anos cinquenta, sessenta não houve um largo passo, existiram pessoas que, de alguma forma, depositaram sua confiança em uma capital promissora e investiram capital de giro com o intuito de crescer no ramo empresarial/industrial. Graças a pessoas visionárias, hoje o estado de Goiás exporta: carne bovina, óleo de soja, grãos, ferro-nióbio, sulfeto de cobre além de importar: carros e peças, adubos e fertilizantes, produtos farmacêuticos, máquinas e equipamentos, enxofre e outros. Através de incentivos fiscais e interesse de expandir, empresas multinacionais vieram para Goiás nos últimos anos, trazendo um giro maior para a economia goiana e colocando o Estado em um nível econômico que pode ser percebido no aumento do PIB. Goiás que décadas atrás era desacreditada, hoje, em plena segunda década do século XXI, avança na esperança de continuar avançando e mostrando ao Brasil e ao mundo seu potencial.

Texto: Valter Lopes - Historiador

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FONTES:
Galli, Ubirajara – A História da pecuária em Goiás: do primeiro gado (1723) aos dias de hoje. / Ubiraja Galli. – Goiânia: Ed. Da UCG, Contato Comunicação, 2005. 132p. : il.
Godinho, Iúri Rincon. A Construção: cimento, ciúme e caos nos primeiros anos de Goiânia / Iúri Rincon Godinho. Goiânia: Contato Comunicação, 2013. 428p.
Silvia, Ana Lúcia da – A revolução de 30 em Goiás / Ana Lúcia da Silva. 2. Ed. – Goiânia : Cânone Editorial, 2005. 232 p. ; 24  cm.
Ramos, Hugo de Carvalho, 1895 – 1921 – Tropas e boiadas / Hugo de Carvalho Ramos. 8. Ed (1.rimpr.) – Goiânia: Ed. UFG: Fundação Cultural Pedro Ludovico Teixeira, 1998. XL 167 p. (Coleção Belamor, 3)

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