1. Jun
  2. 1755

Mineração

A descoberta do ouro foi um fato histórico que pautou o início de uma nova economia no Brasil.

História de Goiás

O ciclo do ouro se inicia quando os portugueses descobrem jazidas do mineral, principalmente na região sul do Estado de Minas Gerais. Mais tarde o ouro foi encontrado nos Estados de Goiás e Mato Grosso dando início ao ciclo do ouro nestas regiões. Era interesse de Portugal extrair o máximo possível do mineral para envia-lo à metrópole acreditando assim ter estabilidade econômica, sendo necessário, imediatamente encontrar outra fonte de renda além da cana-de-açúcar, pois havia uma concorrência mundial desse produto. A extração do ouro foi uma atividade temporária e pelo fato de ser ouro de aluvião que se resumia à mera catagem, logo os veios d’agua se esgotaram. Além do esgotamento do ouro aluvional, havia uma falta de cooperativismo dos mineradores e técnicas de exploração muito rudimentares que atrasava e não davam resultados tão eficazes.

No início da colonização, o Brasil possuía grandes latifúndios monocultores que adotavam o sistema plantation e pelo fato de ainda não terem se aventurado para o interior do vasto território, não haviam encontrado outra fonte de renda. Somente no século XVIII, este considerado o século do ouro, foram descobertos metais preciosos dando início a corrida do mineral. O desbravamento para o interior da colônia pelas Entradas e Bandeiras saindo da Capitania de São Paulo rumo ao sertão marcou o descobrimento das primeiras jazidas nas regiões montanhosas no sul de Minas Gerais. As jazidas auríferas descobertas no Brasil tinham duas características: as de ouro de aluvião em meio à formação de bancos de areia, cascalho e terra dentro dos rios e as formações rochosas com veios d’agua, em virtude disso havia formas diferentes de mineração. Após o descobrimento de pedras preciosas no sul de Minas Gerais foi encontrado ouro em Goiás e Mato Grosso, sendo que em Goiás foi fundado por Bartolomeu Bueno da Silva o Arraial de Sant’Anna que mais tarde tornou-se vila e depois veio a ser a capital. Ao leste seu companheiro Manuel Rodrigues Tomás descobre ouro na serra dos Pirineus, junto ao rio das Almas e funda o Arraial de Meia Ponte. Com o investimento e coragem dos desbravadores, novos locais foram sendo descobertos e novas investidas de exploração foram feitas. Em Goiás a extração de ouro foi intensa, mas pouco duradoura levando uma rápida decadência e esgotamento total das jazidas. 

Todo produto mineral extraído na colônia era de propriedade do rei de Portugal e pela amizade e confiança em algumas pessoas, ele cedia a estes o direito de exploração com a condição de pagamento de imposto que correspondia à quinta parte da produção líquida dando origem ao chamado “quinto”. Temendo o contrabando (que foi inevitável), adotaram o modelo de cobrança pelo número de escravos não durou por muito tempo, apenas de 1736 a 1751, pois os mineiros achavam desleal este modelo de cobrança, sendo que havia donos de lavras que tinham escravos que rendiam muito em seu trabalho e em outras não, e no final todos pagavam o mesmo valor, foi então que o pagamento do quinto direto baseado no volume líquido de extração foi adotado. O ouro extraído era levado para a Casa de Fundição onde se calculava o quinto para à Metrópole, recebendo um carimbo que autenticava a barra e o restante ficando com o proprietário da jazida. 

Goiás se destacou como o segundo maior produtor de ouro no Brasil ficando atrás somente de Minas Gerais. No território goiano, os principais locais e talvez os únicos onde ocorreram o maior volume de extração de ouro, foi em Minas de Nossa Senhora do Rosário Meia Ponte, atual Pirenópolis e Villa Boa de Goyaz, hoje Cidade de Goiás. Estas regiões ficaram muito movimentadas, o comércio bem fomentado, pois a corrida do ouro automaticamente atraía pessoas de várias regiões, viajantes e aventureiros com o sonho de ficarem ricos. Historiadores afirmam que a renda per capita não foi tão elevada no período da mineração, tanto que a produção açucareira que era um produto em crescimento, principalmente na região nordeste, não ficou em grande desvantagem. Pouco do ouro ficou no Brasil, quase nada. Tudo era exportado para Portugal e de lá para outros países da Europa. Pode-se dizer que a indústria do ouro mesmo havendo seus altos e baixos, colaborou com a expansão territorial do Brasil e o aumento da população. Foram criadas cidades e estradas já começando uma logística de acesso e isso pago pelo ouro extraído, única herança deixada em Goiás.

Conheça 8 curiosidades sobre a mineração no Brasil Colonial

Você sabe onde foram encontrados os primeiros diamantes no Brasil? E como surgiu a expressão Santo do pau oco? A história da mineração no Brasil Colonial envolve uma série de fatos interessantes. Veja abaixo oito curiosidades sobre o período:

E não é que, com a chegada da mineração no Brasil Colonial, o idioma português substituiu o tupi, tornando-se, assim, a língua mais falada da colônia? Isso porque, devido a essa nova atividade econômica, aumentou o número de portugueses no território. Outra mudança provocada pela mineração colonial foi o deslocamento da capital brasileira de Salvador para o Rio de Janeiro, por ficar mais próximo das minas. Além disso, com a riqueza trazida pela extração de ouro, surgiu uma nova classe consumidora no Brasil Colônia, a classe média brasileira.

E onde foram encontrados os primeiros diamantes no Brasil? Na região do rio Jequitinhonha, em 1729. O rio banha os estados de Minas Gerais e da Bahia. O principal centro produtor foi Arraial do Tijuco, atual Diamantina, em Minas Gerais.

A mineração colonial foi cenário para a origem de famosos ditados populares. É o caso da expressão Santo do Pau Oco, utilizado para designar pessoas dissimuladas. Como na época os impostos sobre o ouro e outros metais preciosos eram altíssimos, santas de madeira oca eram preenchidas com bens preciosos como ouro em pó. Assim era possível passar pelas Casas de Fundição sem pagar os abusivos impostos à Coroa.

Falando em impostos... você sabia que o primeiro imposto no Brasil surgiu no período da mineração colonial? Chamado de quinto, estipulava que 20% da riqueza obtida em cada jazida deveria ser concedida à Coroa Portuguesa. Mas o sistema era muito vulnerável e acabou sendo substituído, mais adiante, pela finta, que consistia na remessa de 30 arrobas anuais de ouro para a Coroa.

Que a cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, tem esse nome devido à exploração local de ouro todo mundo sabe. Mas a pergunta que fica é: por que ‘preto’? A resposta é simples: o ouro da região era recoberto com uma camada de óxido de ferro, que lhe dava uma tonalidade diferente da normal. Aliás, até 1823, a cidade era chamada de Vila Rica.

Graças à mineração colonial, a produção de ouro no Brasil representou metade da produção mundial de ouro entre os séculos XVI e XVIII! E, claro, teve gente que ficou muito rica. Reza a lenda que um escravo chamado Chico Rei conseguiu comprar a própria liberdade e a de outros escravos com o ouro contrabandeado na Mina Encardideira, em Ouro Preto, onde trabalhava.

O que a Revolução Industrial tem a ver com a mineração no Brasil Colonial? Muita coisa! O ouro foi levado para Portugal e gerou lucro até para a Inglaterra, que teria financiado a Revolução Industrial com parte das riquezas tiradas da colônia portuguesa. E não foi só lucro que a extração de ouro gerou. Com ela, vieram as artes, representada sobretudo por Aleijadinho, e o intelecto. Crianças de origem portuguesa-brasileira foram enviadas para Portugal para estudar e, quando retornaram ao Brasil, trouxeram as ideias revolucionárias e embrionárias da Revolução Francesa.

A mineração colonial mexeu até com o fluxo populacional no território. Com as promessas de riqueza no Novo Mundo, começou uma imigração intensa de portugueses para o Brasil. E a população oficial da colônia pulou de 300 mil pessoas para 3 milhões! Preocupada com o número crescente, a Coroa até estipulou uma lei para tentar gerenciar o fluxo migratório.

Texto: Valter Lopes - Historiador

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FONTES:
PALACÍN, Luís – Goiás 1722 – 1822 – Estrutura e Conjuntura numa Capitania de Minas. Dec – 72. Departamento Estadual de Cultura – Pça. Cívica, 13. Goiânia-GO.  
PALACÍN, Luís – História de Goiás/Luís Palacín e Maria Augusta Sant’Anna Moraes. – 6ª ed. Goiânia: Ed. Da UCG, 1994. 122 p.: il.
http://www.vale.com/brasil/PT/aboutvale/news/Paginas/8-curiosidades-sobre-a-mineracao-no-brasil-colonial.aspx
https://brasilescola.uol.com.br/historiab/mineracao-no-brasil-colonial.htm 

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